quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

domingo, 18 de dezembro de 2011

O NATAL DOS SENIORES



Tive a honra de participar numa festa de Natal que aconteceu num, denominado, Lar de Terceira Idade. Verifiquei a alegria de quem participava ativamente nessa festa. Idosos a participar num presépio vivo, numa passagem de modelos que os fazia rir e lembrar as actividades laborais e culturais da zona por alturas da sua meninice.
 Vi idosos (seniores) a ficarem felizes com a presença dos seus familiares, com a recepção de prendas mas, também vi seniores que não tiveram o prazer de ter alguém com quem partilhar aqueles momentos.
 Sózinhos, doentes,cansados da vida e do sofrimento que os assolou.
Vi uma dessas pessoas ficar mal disposta a ponto de vomitar e de ter que ser retirada daquela festa. O seu organismo reagiu à ausência dos seus entes queridos.
Acredito que aquela mulher deu-se totalmente aos seus familiares quando eles precisaram, de certeza que fez muitos sacrifícios na vida para educar os seus filhos e também ajudou a cuidar dos netos, agora ela apenas precisava que lhe dessem duas horas de atenção para se poder sentir feliz como outras que ali estavam acompanhadas.
Espero que este Natal sirva para se refletir sobre a solidão dos seniores, mesmo que estejam na companhia de muita gente, eles estão sós. Familiares e amigos desses seniores não deixem de participar nestas atividades, não deixem de os acompanhar e de partilhar, com eles, os melhores momentos da vida.
FILHO ÉS, PAI SERÁS. COMO FIZERES ASSIM ENCONTRARÁS.

FELIZ NATAL 

Uma Carta ao Pai Natal


Pedido de Natal


sábado, 3 de dezembro de 2011

BOAS FESTAS PARA TODO OS MEUS AMIGOS

Afinal este grupo é importante, vejam como está a ser apreciado por todo este público. E o pintor, conseguir pintar todos estes excepcionais modelos, é obra.
Aí vem de novo o Natal, a festa da família. Adoro esta fase do Ano, só é pena que os nossos governantes nos tirassem parte da magia própria desta época. Mas não nos podemos deixar levar pelos bens materiais, brindemos à saúde, à felicidade e à reunião familiar. Nem as mais cruéis agruras da vida nos devem demover de viver o NATAL. No passado ano, por esta altura, estava eu ainda com todas as sequelas dos tratamentos de quimio e radio e, mesmo assim, fiz questão de comemorar o Natal de uma forma empolgante.
Este ano, se Deus quiser, também acontecerá, apesar de uma pneumonia me ter tirado algumas forças espero recuperá-las para poder proporcionar à minha família um bom convívio.


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domingo, 16 de outubro de 2011

Aos que agiram naturalmente


Vamos Matá-lo

Ainda em Agosto de 2010


Na 1ª consulta de radioterapia fizeram-me uma TAC de planeamento com  tatuagens nos locais onde deveria incidir a radiação: duas tatuagens nas virilhas (gânglios) e uma no púbis. Brinquei com as técnicas dizendo que nunca tinha querido pagar uma tatuagem e agora até tinha três feitas à borla. 
Foi-me dito que iria fazer 30 sessões de radio em simultâneo com quimioterapia. 
Deram-me os parabéns por se localizar no canal anal pois neste local havia muitas hipóteses de cura. 
Fui apresentada aos enfermeiros desta unidade. Não percebi logo a importância destes técnicos, apesar de me ter sido explicado que iria sofrer queimaduras e que era de absoluta necessidade a intervenção deles.
Todas as explicações que me faziam quer a médica quer o enfermeiro, soavam-me a falso. Aquela conversa não podia ser para mim: usar boxers de algodão puro em vez de cuecas, colocar muito creme depois da radio, ingerir muita água e procurar fazer a radio com a bexiga cheia para evitar que esta ficasse afectada, cuidado com as diarreias, alimentação muito cuidada - iria a uma nutricionista - para não provocar urina ácida, evitar a flatulência, as fezes duras ou a diarreia , medicação para as diarreias, para as dores, etc... etc...
Vim para casa com a cabeça cheia de preocupações e coisas para fazer, comprar pomadas, procurar os ditos boxers, ler toda a documentação que me foram dando, programar as próximas idas ao hospital...
Decidi-me por ir procurar os boxers para vestir quando iniciasse a radioterapia, infelizmente não existiam para senhora e tive que comprar de homem.

Passados 4 dias estava eu a conhecer a minha médica oncologista. Depois de ela ter feito os cálculos informa-me que irei fazer 4 dias de quimioterapia no início da radio e 4 dias nos últimos dias da radio.

No dia 30 de Agosto lá fui eu, logo às 8h da manhã, para o Hospital de Santa Maria. Comecei por ir à oncologia que me prescreveu a quimio que eu teria que fazer. Esperei que me chamassem e, quando chegou a hora de entrar na sala da quimio as minhas pernas tremiam, não conseguia falar. Limitei-me a sentar-me no cadeirão e esperar que me colocassem a 1ª quimio - Mitromicina - seguida do 5FU, que constava de um balão que despejava para o meu organismo, durante 4 dias seguidos, aquele produto "cáustico". 
Lá fui eu para casa com um apêndice exterior, colocado no meu peito, que me incomodava a dormir, no banho, quando saía, a vestir-me...
Na manhã seguinte comecei com vómitos e atribui à pasta de dentes. Fui à farmácia para que me vendessem uma que não me provocasse vómitos. - Não existe, disseram. Comprei algumas que me pareceram mais adequadas à situação mas, verifiquei depois que também não resultavam. Durante os vómitos olhava ao espelho e não me reconhecia, ficava vermelha, completamente desfigurada.
Alguns dias passados ao mexer no meu cabelo ele caía às mãos cheias. Durante as próximas noites não conseguia dormir descansada devido ao meu apêndice exterior e também porque sonhava que eu andava na rua, havia muito vento e o cabelo voava todo. Acordava assustada acendia a luz para ver se ele já tinha caído para a almofada.
Já tinha programado cortar todo o cabelo e comprar uma peruca quando este parou de cair daquela maneira e aí eu esperei, sempre com medo, mas esperei. Afinal ele não caíu todo. Foi ficando cada vez mais frágil, tratava-o como o de uma criança, mas aguentou-se.
No dia 2 de Setembro lá fui retirar o meu apêndice exterior. Toda a quimio já andava a percorrer o meu organismo e a provocar danos tanto no tumor como nos órgãos sem doença.
As sessões de radioterapia iam decorrendo todos os dias, excepto alguns sábados e domingos. Por vezes cumprindo o horário estipulado outras que tinha que lá voltar devido à avaria da máquina. Uma vez fiz radio às 23h 30m porque a máquina se tinha avariado durante o dia.

Na 20ª sessão tive que interromper devido às queimaduras que apresentava. Durante uma semana curei as feridas e depois voltei àquela sala fria, com um cheiro característico que ainda hoje abomino.
Nas sessões de radio ocupava-me a contar o tempo que a máquina incidia em cada uma das minhas tatuagens e em pensamento dizia, com muita raiva, que o cancro havia de morrer queimado.
Completei 27 sessões de radioterapia e na 28ª tive que ir colocar o balão de  quimio outra vez. Mais 4 dias com a quimio e, no último dia fiz radio logo de manhã, tirei a quimio à tarde e depois fiz mais uma sessão de radio ao fim da tarde.
Nesse dia tive sentimentos muito contraditórios: Alegria por me ver livre de todos os tratamentos e das idas diárias ao Hospital mas, preocupada porque agora não tinha ajuda para matar o bicho. 
Na consulta de radio a médica informa-me que eu iria passar ainda um mau bocado: queimaduras, dores... mas eu achei que aqueles momentos já tinham passado e pensei que ela estaria a fazer alguma confusão, enfim aquela conversa não seria para mim. Eu já tinha passado por tanto sofrimento que mais não seria possível. 
Mas ela tinha razão, passados 4 dias comecei a abrir feridas enormes, não conseguia dormir, nem sentar-me, nem lavar-me. Durante quinze dias comi de pé, não conseguia andar, deitava-me de lado, gritei com dores, chorei quando fazia as necessidades, enfim desesperei mesmo.

Neste período encontrei alguns anjos:
A minha família que me deu um apoio incondicional, os amigos que me visitavam em casa e até me acompanhavam às sessões de radio, para me contarem anedotas na sala de espera como forma de  aliviar das minhas dores; os médicos, enfermeiros e técnicos de radio, que me acompanharam de uma forma inexplicável. Sempre com um sorriso, a transmitirem esperança, a perceberem as minhas necessidades e a procurar satisfazê-las de imediato, a ajudarem-me a superar todos os meus problemas de insegurança...
Quero deixar aqui um agradecimento às pessoas que mais me acompanharam nesta fase e dizer-lhes que nunca esquecerei o apoio que me deram e a forma como me fizeram sentir que não as podia desiludir por isso, teria que lutar pela vida.

domingo, 25 de setembro de 2011

Planos para viver quer seja Outono, Inverno, Primavera ou Verão

Julho de 2010
Andava eu a tratar uma fissura anal quando, numa consulta de rotina, onde era suposto confirmar o resultado positivo do tratamento a esta fissura, a médica diz-me que eu tenho que ir fazer outro exame que esclarecesse
 aquilo que se passava, porque o tratamento não tinha resultado. Aí eu comecei a ficar preocupada, chorei com dores físicas e psicológicas. Quis logo saber a opinião da médica, se era tumor anal, mas ela remeteu para o resultado do próximo exame.
Passados 15 dias vou fazer uma Rectosigmoidoscopia e a médica acabou por me fazer uma biópsia devido ao aspecto e logo à desconfiança de que haveria algo de anormal. Ouvi os médicos comentarem que seria para radioterapia e, logo aí, fiquei muito angustiada, mas ainda com alguma esperança. Pensei que talvez se tivessem enganado, não deveria ser tão mau como eu e eles  estávamos a supor.
Uma semana depois tive o resultado da biópsia e aí o mundo caiu em cima de mim. Deixei de pensar em mais nada, todas as outras conversas me aborreciam. Apenas queria encontrar o caminho certo para a minha "cura". 
Enchi-me de coragem para contar aos familiares e amigos e ganhei uma força impressionante para dar ânimo a quem estava ao pé de mim e precisava. Fui firme ao dizer que tínhamos dois a três dias para barafustar, gritar,chorar e  bater com a cabeça nas paredes. A partir daí, de cabeça erguida, só deveríamos pensar nos próximos passos a dar e caminhar sem olhar para trás. 
Seguiram-se vários exames complementares: análises, exame ginecológico, ecoendoscopia, ecografia abdominal, TAC e colocação de cateter venoso central.
Agosto de 2010
Comecei a saga das consultas de radioterapia e de oncologia. Aí foi estadiado o tumor - T3 - o que fez com que eu tomasse consciência de que não se tratava de um problema simples. Mas, apesar dessa consciência, agarrei-me com toda a força à vida e decidi começar a pensar positivo e que eu não me iria preocupar mais com as pequenas chatices do dia a dia.
Nesta altura uma amiga minha faleceu com leucemia. Fui despedir-me dela com um sentimento de que qualquer dia poderia ser eu a partir, apenas ela tinha iniciado esta caminhada um pouco mais cedo.
Guilhermina, descansa em paz.



sábado, 24 de setembro de 2011

Viver a Vida

Viver a Vida
Graças a estas amigas e a outras que não constam desta foto, encontro-me em condições de iniciar a partilha sobre o meu problema. Obrigada amigas, ajudaram-me a saber ouvir os problemas dos outros, a saber partilhar as minhas angústias e a saber ajudar pessoas com o mesmo tipo de preocupações. Bem-hajam

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ilustração do canal anal

O porquê deste blog

Resolvi criar este blog para poder partilhar a minha experiência de vida. Há cerca de um ano foi-me diagnosticado um carcinoma do canal anal e, desde logo, senti necessidade de poder trocar impressões com pessoas que passaram ou estão a passar pela mesma situação que eu. Irei escrever todos os passos por que passei assim como o que senti em cada um deles. Espero que este blog possa ajudar alguém assim como vir a encontrar pessoas para partilhar as minhas angústias e também as minhas alegrias. Alegrias sim porque também as tenho.